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Poesia visual em ópera paulista
Postado em 30/04/2015

Fonte: Casa Vogue

 
 
Uma narrativa visual mágica, imersiva e futurista compõe a ópera Poranduba, apresentada no Theatro São Pedro, com a direção musical e regência de André dos Santos. A direção criativa é de Marko Brajovic - arquiteto conhecido por seus trabalhos híbridos, que permeiam as áreas de cenografia, design, interiores e outros diversos projetos. Poranduba, substantivo do tupi, sugere uma narrativa ou o processo de contar algo. Com base na mitologia indígena, essa história é apresentada com o viés da atualidade, oferecendo um discurso estético e filosófico sobre a representação dessa cultura nos dias de hoje.

A interpretação dá preferência ao viés poético (e menos ao folclórico), traduzido principalmente pela sensibilidade e composição da cenografia e iluminação (Atelier Marko Brajovic e Roberto Rebaudengo) e dos figurinos (Teka Brajovic). Nesse panorama, a nossa vivência atual se confunde com a tecnologia - onde elas se mesclam, sugerindo serem intrínsecas e inseparáveis. A floresta apresentada na ópera é um sistema complexo e tecnológico, onde os índios são os sábios.

 
A geometria e os grafismos, muito presentes na cultura indígena, e que se relacionam diretamente com as formas orgânicas e naturais, são consideradas uma estratégia de composição de um caráter contemporâneo e digital. A cenografia gerou o conceito do projeto, e a direção cênica (assinada por Zaccariotto Ferreira e Roberto Rebaudengo), coreografou os movimentos para integrá-los ao panorama geral. Assim, o mundo real e o mundo fantástico interagem para produzir uma ópera que funciona como um organismo vivo, onde os componentes formam o novo "ser estético híbrido" da ópera.

Ópera Poranduba
Local: Theatro São Pedro
Endereço: rua Dr. Albuquerque Lins, 207, São Paulo, SP
Dias das apresentações: 1° de maio, às 20h; e 3 de maio, às 17h.
Ingressos na bilheteria do teatro ou no Ingresso Rápido