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Oscar 2017: os melhores cenários dos filmes
Postado em 23/02/2017

Fonte: Casa Vogue

 
 
A aguardada cerimônia do Oscar 2017 acontece neste domingo (26/02). Infelizmente, para os que curtem a folia, os americanos não levaram em conta a agenda carnavalesca do Brasil e mesmo assim marcaram a premiação para o feriado prolongado. A parte boa, para quem for ver, é não precisar acordar tão cedo no dia seguinte.

Sem mais delongas, alguns filmes se destacaram na categoria de design de produção, com cenários de tirar o fôlego, essenciais para contextualizar cada enredo. Apesar de a categoria ter apontado apenas cinco filmes como dignos de levar a estatueta, aqui você confere as sete ambientações mais incríveis entre todos os longas presentes na lista da academia. Se você ainda não viu um deles, corra para os cinemas e atualize-se até domingo!

La La Land: Cantando Estações


 

O musical com 14 indicações ao Oscar é uma celebração da sétima arte em todos os âmbitos. Sob comando de David Wasco e Sandy Reynolds-Wasco, o set design de La La Land traz inspirações dos clássicos do cinema dos anos 1950, 1960 e 1970, com explosão de cores e texturas, transformando Los Angeles em uma verdadeira peça vibrante. Quanto às locações, o diretor Damien Chazelle buscou explorar os ícones da city of angels, como o Griffith Park Observatory e o Lighthouse Café.

Animais Noturnos


 

Estranhamente esquecido pela academia, Animais Noturnos é uma ode à arquitetura e à arte. O designer de produção, Shane Valentino, transformou a icônica casa de Scott Mitchell Studio no meio da charmosa Malibu em uma residência digna de Hitchcock, recheada de obras de arte de Aaron Curry, Mark Bradford e Richard Misrach. Para o ambiente de trabalho da protagonista Susan Morrow (Amy Adams), Shane aproveitou a estética futurista da sede da Creative Artists Agency e incrementou com tons de vermelho e branco total. Impossível não notar a obra Nude In A Convex Mirror, de John Currin (foto acima). 

Passageiros


 

Trabalhar com ficção científica pode ser um desafio, já que não existem referências suficientes para fugir do óbvio no gênero. Contudo, Guy Hendrix Dyas e Gene Serdena misturaram a estética futurista com o design retrô e fizeram dos espaços da nave espacial de Passageiros uma viagem entre tempos. O quê art deco aparece tanto nos quartos quanto na área do bar, que lembra um pouco o de Stanley Kubrick em O Iluminado. A equipe buscou referências de Nova York e Atlanta para construir os móveis e ambientá-los da melhor forma. O grafismo e a geometria não poderiam ficar de lado, mas aqui ganham corpo e textura nas paredes e tetos, como arabescos vazados. O volume extravagante é compensado pelas cores frias e iluminação distribuída.

Jackie


 

A personalidade forte de Jackie Kennedy ultrapassava as questões políticas e sociais dos Estados Unidos. Isso porque a primeira-dama insistiu na mudança de alguns cômodos e detalhes da Casa Branca, como o icônico tapete vermelho no Salão Oval. O milagre realizado pela equipe de design de Jean Rabasse em Jackie foi reconstruir minuciosamente todos os cômodos da casa em um estúdio em Paris, a partir de uma pesquisa incessante nos arquivos americanos e registros da época encontrados nas bibliotecas nacionais. Como o longa de Pablo Larraín se passa quase que inteiro dentro da residência oficial, esta se torna quase um personagem de apoio para a atuação brilhante de Natalie Portman. Peças garimpadas em Londres, Paris, Bélgica, Nova York e Los Angeles, remontam toda a intimidade da família Kennedy.

Hidden Figures


 

Mais um filme que a equipe de design merecia um prêmio só pelo esforço na parte da pesquisa. Como a história gira em torno das mulheres matemáticas da NASA que ajudaram os Estados Unidos a vencer a corrida espacial em 1960, o produtor de design Wynn Thomas remontou no campus da Morehouse College, em Atlanta, toda a estrutura da agência espacial. Os espaços circulares são o grande destaque, tanto para as salas de aula quanto para as de pesquisa, fazendo referências aos movimentos da Terra, da Lua e do percurso feito pelos astronautas. A paleta de cor permeia os tons envelhecidos, como o azul e o rosa, recorrentes da época, e a madeira como contraponto do clássico vintage.

A Chegada


 

Indo na contramão de Passageiros, Patrice Vermette e Paul Hotte trouxeram outra estética para o sci-fi A Chegada, também estrelado por Amy Adams. Baseado no conto Story of Your Life, de Ted Chiang, o enredo supõe um contato pacífico entre extraterrestres e seres humanos. A equipe de design, então, fez uma busca nos arquivos dos filmes de ficção científica mais icônicos do cinema e a eles acrescentou referências provindas da arte e da arquitetura. O resultado é um civilização de E.T.s com uma estética minimalista, com cores sóbrias e linhas limpas. Tudo para contrastar com a quantidade de informação que nós humanos estamos constantemente carregando em nossos corpos e trajes. As cores dos acessórios e objetos usados pelos homens no contato com o aliens é alaranjada, justamente para reforçar a diferença entre as duas espécies e destacar visualmente os movimentos nos cenários sóbrios.

Ave, César!


 

Por fim (e longe de ser menos importante), o longa dos Irmãos Coen, além de ter um roteiro maravilhoso, criticando a indústria cinematográfica e todo seu glamour, remonta uma Hollywood dos anos 50 com tudo o que os atores, produtores e diretores tinham direito. Carros maravilhosos, casas incríveis e roupas incontestáveis. A equipe de design, comandada por Jess Gonchor e Nancy Haigh, aproveitou os diversos cenários dentro do filme (isso porque a história se passa durante a gravação de outros filmes, uma metalinguagem linda) para explorar a estética teatral da melhor maneira. Isso auxiliou a entonação da atuação dos protagonistas.