Coluna

Sustentabilidade – Gestão das Cidades no Brasil
Postado por Peloggia, em 25/05/2016

O mundo em que vivemos, admite como itens prioritários, o consumo em grande escala de todos os produtos possíveis, desde alimentos a equipamentos de alta tecnologia. Não temos a consciência da importância que a evolução requer cada vez mais de um planeta estável sob o ponto de vista dos recursos ambientais. Os graves problemas que advêm são o surgimento de grandes colapsos em todas as esferas da população. Surgiu então uma palavra que engloba essas ações, com o objetivo de garantir um equilíbrio, e que nas cidades esse termo é conhecido como sustentabilidade ou ecologia urbana.

O gerenciamento das cidades tem se caracterizado pelas suas dificuldades em enfrentar os problemas ambientais. Porquanto, são poucas as iniciativas para promover um gerenciamento integrado das atividades urbanas que aumente a qualidade de vida da população e preserve o equilíbrio dentro do ambiente construído.  A dinâmica associada a uma crise na gestão pública apresenta como resultados uma explicitação das carências sociais e dos serviços públicos e uma dificuldade acentuada de gestão política/administrativa. Isto tem provocando um crescente grau de deterioração do ambiente construído que se manifesta na degradação dos recursos hídricos e nas dificuldades para a garantia da qualidade de vida, associados ao saneamento.

Diversas cidades brasileiras destacam um pessoal altamente técnico, tecnológicos e bem formados academicamente, recursos humanos imprescindíveis para a realização de excelentes trabalhos nas Secretarias, destacando sua ação em torno de temas como poluição das águas e da poluição atmosférica, tratamento do esgoto, etc. 

A constituição de órgãos e agências públicas ligadas especialmente para a questão do ambiente construído e a formulação da política ambiental é recente no Brasil. Um item importante da ação pública para a área ambiental é a Constituição Federal de 1988, sendo atribuídas ações concorrentes entre as três esferas da federação: União, Estados e Municípios, como corresponsáveis pela garantia da qualidade do ambiente construído, e com isso dando condições maiores aos municípios para exercitarem políticas ambientais, que beneficiem a Nação. 

A aceleração da desigualdade somou-se à crise instalada pelo Estado, que tirou dos governos grande parte do seu poder de investimento em infraestrutura e serviços sociais. Como resultado, para uma parcela crescente da população, a vida no ambiente construído também passou a ser sinônimo de desemprego, miséria, violência, favelas, congestionamentos degradação e poluição.

As questões voltadas para urbanização é mais acelerada nos países pobres: em média 5 % ao ano, contra 0,6 % nos países altamente desenvolvidos. Tendo em vista esses fatores, de 1995 a 2015, a população urbana nos países menos industrializados teve um crescimento de 52 %, enquanto que nos desenvolvidos esse índice foi da ordem de 7 %.  Especificamente no caso brasileiro, destaca-se o fato de ter sofrido um dos mais rápidos processos de urbanização do mundo: de 46 % em 1940, as cidades passaram a abrigar 80 % da população brasileira em 1996 e deve chegar a 88 % em 2025. A industrialização tornou os centros urbanos responsáveis por 90 % de tudo o que é produzido no país, levando a uma concentração de pessoas em grandes metrópoles.

A multiplicação das aglomerações no ambiente construído implica em mudanças também na sustentabilidade. Para trabalhar com problemas tais como: lixo, resíduos sólidos, captação de água, segurança, transporte, poluição, deve-se pensar em novas formas de atuação dos gestores e a internalização da problemática ambiental no processo de formulação e implementação de diferentes políticas públicas, assim como a troca de experiências e informações entre os diferentes atores sociais são cruciais neste processo.

Prof. Dr Adilson PELOGGIA
Especialista em Ciências do Ambiente
peloggia.adilson@gmail.com

 

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